30 de Setembro, 2020- By Anne Mourao

Foi inaugurado no último dia 12  de Setembro o novo centro comunitário brasileiro da ONG Life for Lives, um grande ganho para nossa comunidade em Toronto. Conversamos com a presidente e fundadora, Dianna Santos sobre o centro e seus projetos.

  • O que é a organização Live for Lifes? Qual é a missão da ONG?

A Life for Lives é um projeto de vida e ela veio tanto para servir e ajudar a comunidade quanto para integrar e nos aproximar. E uma organização não governamental com sede em Toronto, fundada em 2015, que desenvolve ações no cuidado social e emocional dos indivíduos, investindo na promoção das capacidades de pessoas em situação de vulnerabilidade social. E uma associação sem finalidade econômica, de caráter social, educacional e sustentável para desenvolver e multiplicar ações assistenciais de forma integrada e multicultural.

A gente investe na vulnerabilidade da pessoa e da sua fragilidade por ser imigrante. E desenvolvemos de uma forma integrada essa multiculturalidade que a gente vive. Nossa missão é interagir e integrar os diversos setores da sociedade desenvolvendo os nossos projetos com as crianças, com os jovens, com os idosos, com as mulheres e todos os membros da comunidade, em uma prospectiva de uma sociedade que esteja motivada. E acima de tudo ajudando as pessoas.

  • Você poderia explicar um pouco sobre os projetos da organização?

Em 2015, eu tirei esse sonho do papel e comecei com dois projetos “De coração para coração” e o “Sertão Vivo”.

De Coração para Coração: Um projeto em que almofadas são feitas e distribuídas para as pessoas que passam pelo tratamento do câncer de mama. [Saiba mais sobre esse projeto na companhia “Outubro Rosa” do Brasil Remittance no mês de Outubro.]

Sertão Vivo: Um projeto que leva material escolar para o Sertão de Pernambuco . Em abril de 2016 foi a minha primeira viagem para o Brasil levando material escolar para o Sertão de Pernambuco.

Oficina da Memória: é um projeto com os idosos da terceira idade aonde a gente trabalha a parte cognitiva, sensorial e motora. Tem o objetivo de reintroduzir o idoso na sociedade e estimular a questão cognitiva da memória que naturalmente já vai perdendo, sensorial dos sentidos e motora.

  • Quais são os planos para o novo espaço e mudou alguma coisa por conta da situação que estamos vivendo hoje?

Alugamos o espaço em janeiro passou por um processo de reforma e o plano era inaugurar em Abril.  Eu tinha acabado de voltar do Brasil pelo Projeto Sertão e estava de quarentena. Foi muito bom que foi um tempo para refletir sobre essa situação que estamos passando. Foi aí que pensamos que, nos grupos que trabalhamos, a maioria são idosos. Então vamos fazer uma cesta básica para ajudar os nossos idosos. Entrei em contato com a Isaura Carneiro, presidente da sociedade portuguesa de pessoas deficientes , e decidimos ligar para todos os idosos da Oficina e ver o que eles precisavam. Eu saí da quarentena na quinta e na sexta já estava fazendo feira para os idosos. Só que percebemos que não era só eles que estavam precisando e sendo atingidos. Como estávamos com espaço fechado, pensei: vamos comprar comidas e fazer um Food Bank. 

Nosso foco é a vulnerabilidade. E hoje a necessidade é a comida. Pedimos e recebemos muitas doações, fizemos duas feijoadas para angariar fundos. Conseguimos fazer 310 cestas básicas por quinzena para as famílias.

As pessoas iam lá no site se cadastravam dizendo quantas pessoas na família e o que estavam precisando. Montamos a cesta tentando colocar basicamente tudo que uma família precisa para se alimentar.

Hoje, graças a Deus, diminuiu bastante a procura. Então vimos que o nosso Food Bank foi mesmo emergencial para o COVID. Mas a gente continua recebendo alimentos só que não dá para montar uma cesta completa. Tivemos uma reunião e decidimos que não fazia sentido a gente continuar. Então fizemos parceria com outros Food Banks (como o TLC Food Bank), aonde levamos todas as doações que recebemos e passamos as nossas famílias cadastradas para que eles continuassem fazendo as entregas.

  • Qual é a forma de interação da ONG com a comunidade brasileira no Canadá?

Através das nossas ações.

Tem muita coisa sendo feita de maneiras positivas, mas isoladas. O exército não vai para uma guerra cada um por si, vai um batalhão. E a nossa comunidade precisa se junto juntar como um batalhão.

Já estamos com o apoio do consulado. Eles vão estar presentes para dar orientações para a comunidade. E temos muitos planos para integrar mais a comunidade brasileira.

  • Atualmente, quantas pessoas estão trabalhando na organização?

Todos são voluntários, 100% da organização. Todos trabalhando com a gente são pessoas voluntárias, inclusive o nosso board de diretores e coordenadores. Alguns anos atrás eu percebi que se eu não me dedicasse não ia para frente. Então eu dedico os meus dias todos aqui para a organização e faço meu trabalho à noite.

  • Live for Lifes precisa de voluntários? O que é preciso para ser voluntário?

Sempre precisamos de voluntários. Hoje, graças a Deus devido as ações estamos com um grupo de mais de 40 voluntários por conta da Feijoada e do Food Bank.

Como funciona: a pessoa vai lá no site se cadastra e perguntamos qual é a área que ela se identifica. As vezes tem gente com experiência em certas áreas. Agora estamos um pouco presos porque os projetos estão limitados pela capacidade. Mas muitos voluntários ajudaram com o Food Bank, organizando, montando cestas, distribuindo.

  • No momento, do que vocês mais precisam? Como podemos fazer uma doação?

Estamos aceitando alimentos, mas estamos repassando para outra organização. Infelizmente não podemos aceitar roupas e coisas de casa porque precisamos ter uma estrutura maior para isso.

Acima de tudo precisamos do apoio emocional e moral da nossa comunidade, saber que estamos aqui juntos. Claro que o financeiro é fundamental, mas são tantos desafios e muito desgaste. Então se tivermos esse apoio a gente vai longe.

Para doar, podem entrar no nosso site e fazer uma doação por lá, fazer um cheque ou por e-mail money transfer para info@mylifeforlives.org.

Também podem nos procurar para verificar quais itens específicos que estamos precisando. Por exemplo agora estamos montando a nossa sala de reunião e procuramos doações de cadeiras ou equipamentos.

  •  Como foi a inauguração no dia 12 de Setembro?

Ficamos muito apreensivos de juntar um grupo. Mas dentro do normal, foi muito bom. Na nossa inauguração tivemos que fazer para um grupo bem limitado. Chamamos alguns representantes da comunidade. Não podíamos abrir ao público, mas foram 30 pessoas só para oficializar. E a gente tinha plano em fazermos reuniões com outros grupos como empreendedores, entretenimento, publicidade. Mas agora tudo mudou com o novo limite de apenas 10 pessoas. Então vamos aguardar e ver o que vai acontecer.

  • Depois que essa situação passar o centro vai abrir as portas para outras atividades na comunidade?

Mesmo agora com esse grupo de 10 pessoas estamos tentando começar as aulas de inglês, já temos uma professora. Para programação de crianças estamos em parceria com a Ciranda Brasileira. Estamos com vários projetos e ideias, e dentro do que vai ser possível com essa realidade agora a gente vai continuar o nosso trabalho. Não vamos parar. No pior da pandemia foi quando a gente mais trabalhou. Alguns projetos vão ter que esperar, como os idosos são grupo de risco com a situação que estamos vivendo agora esse ano não será possível continuar com a Oficina da sua Memória.

  •  Qual é o legado que você gostaria de deixar para o futuro?

Que possamos partir dessa vida deixando sempre registros (memorias), que a gente seja um museu, e não sonhos.

  • Quem quiser vir conhecer o centro, como está funcionando?

Estamos abertos de Segunda a Sexta, das 10am as 5pm.

Nosso endereço é 99 A Ingram Drive, Toronto, Canada (entrada através da Kingcort St).

Siga-nos também por meio de nossas redes socias @mylifeforlivesc.

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Agradecemos a Dianna pela sua disponibilidade em conversar com a gente sobre este assunto super importante para o desenvolvimento de nossa comunidade, principalmente para aqueles que mais precisam.

Manter a integração da comunidade brasileira é um dos valores da Brasil Remittance, faca você também a sua parte e se integre, seja ajudando, participando ou divulgando entre sua rede de amigos.

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